sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O rádio no Brasil







A primeiríssima transmissão de rádio da história do Brasil aconteceu durante a exposição de comemoração do Centenário da Independência. No dia 07 de setembro de 1922, na cidade do Rio de Janeiro, foi ao ar um discurso do presidente Epitácio Pessoa e alguns acordes da ópera “O Guarani” de Carlos Gomes. Ao ver aquele surpreendente equipamento de comunicação, Roquette-Pinto, o médico, pesquisador, antropólogo e educador brasileiro, ficou entusiasmado com aquela inovação e percebeu que o rádio teria grande importância para o povo e para a democracia que precisava de um meio que representasse o interesse comum.
A partir daí iniciou-se a busca pela implantação da primeira emissora nacional, com o patrocínio da Academia Brasileira de Letras, criou-se a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a PRA-2, que estreou as transmissões em 30 de abril de 1923, com um transmissor doado pela Casa Pekan, de Buenos Aires, instalado na Escola Politécnica, na capital federal. Muito embora, longe dali em Recife, Oscar Moreira Pinto e um grupo de amigos transmitisse sons e palavras antes do Rio de Janeiro e proclamaram a sua Rádio Clube de Pernambuco como pioneira, mas apenas registrada oficialmente depois como PRA-8.
Nessa época os aparelhos de rádio eram os famosos “galenas”, pequenos e artesanais receptores de sulfeto de chumbo, que com uma antena de arame fino captavam vozes e sons vindos pelo ar, caros e de difícil acesso. Pois, o meio ainda era uma grande novidade por aqui. As primeiras emissoras eram clubes ou sociedades de amigos, nascidas da união de curiosos encantados pela inovação. No início, as rádios brasileiras funcionavam de forma improvisada e não geravam lucros.
Nessa época, a febre das rádios começou a pegar entre jovens entusiastas, responsáveis pelo pioneirismo em todo o território nacional, como a Rádio Educadora Paulista, os baianos no ar com a Rádio Sociedade, PRA-4, os cearenses com a Ceará Rádio Clube, e o Rio de Janeiro com sua segunda emissora, a Rádio Clube do Brasil, PRA-3, que tinha como diferencial os comerciais, sendo a primeira a requerer e ser autorizada pelo Ministério da Viação e Obras Públicas, via Correio e Telégrafos, a veicular anúncios.
Com o passar do tempo, o amadorismo deu lugar a uma programação mais organizada, com propagandas comerciais, que passaram a ser parte fundamental na manutenção das emissoras. Com o crescimento do interesse público nos conteúdos das rádios, logo se desenvolveram programas de repercussão nacional. A partir daí foram surgindo jornais, os programas de auditório, programas de entretenimento, radionovelas, programação humorística e musical.
            No final de 1924 já haviam cerca de 20 emissoras de rádio no país. O aparelho agora era comercializado aos montes, montado e distribuído por empresas brasileiras. A essa altura, já tinha conquistado o coração do povo, que se reunia em volta do rádio para se informar, se entreter e se embalar no ritmo das grandes vozes propagadas através de ondas sonoras. Durante os próximos dias iremos contar um pouco mais sobre as grandes personalidades que marcaram história na radiodifusão brasileira.
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